Não é novidade que o Sistema Nervoso Central (SNC) exerce um grande papel sobre a função gastrointestinal como por exemplo através da produção de hormônios. Entretanto, ultimamente se tem despertado o interesse na investigação das vias intestino-cérebro que podem estar intimamente relacionadas a algumas doenças neurodegenerativas.

O sistema nervoso entérico (SNE) é uma grande e complexa “malha neural” que se estende desde o esôfago até a junção anorretal, possuindo aproximadamente 500 milhões de neurônios. Mesmo este número sendo inferior a quantidade de neurônios encontrados no cérebro, esse sistema recebeu o título de “segundo cérebro” por ser capaz de coordenar funções do Trato Gastrointestinal (TGI) independentemente do SNC.

Novas evidências têm demonstrado conexões muito mais rápidas entre o SNE e o Encéfalo através do nervo vago. A transmissão de impulsos nervosos do intestino ao SNC pode ocorrer em milissegundos. Estudos realizados em ratos observou-se que a secção do nervo vago cessa alterações comportamentais causadas pela microbiota intestinal, como ansiedade e estresse.

A microbiota intestinal é capaz de modular o SNC podendo interferir nas funções cerebrais e na mudança de comportamento. Algumas alterações que podem ocorrer na microbiota repercutem na absorção do triptofano, aminoácido necessário para produção de serotonina. Boa parte desse neurotransmissor é produzido no sistema gastrointestinal e seus baixos níveis muitas vezes estão relacionados a depressão e ansiedade.

Melhorar o funcionamento do nosso “segundo cérebro” talvez seja a chave para a prevenção de doenças neurodegenerativas como a doença de Parkinson; e doenças relacionadas ao comportamento como a depressão. Para isso é necessário um estilo de vida saudável, principalmente nos aspectos nutricionais para conservação da microbiota de forma equilibrada e funcional.

  • Autor: Douglas Monteiro
  • Colaboração: Suzan Aquino