Com o envelhecimento as quedas tornam-se grande fonte de preocupação, principalmente quando pessoas acreditam que são um evento normal e próprio do processo de envelhecimento. A queda é um evento inesperado e perigoso para o idosos, pois tem sérias consequências.

Nos EUA as quedas constitui a principal causa de morte acidental em pessoas com mais 65 anos de idade. No Brasil o número de mortes causadas por queda aumentou em até 80%, mais de 30% dos idosos já caíram pelo menos uma vez e 80% das quedas acontecem em casa.

Quedas em idoso é considerado um problema de saúde pública, estima-se que o Sistema Único de Saúde do Brasil (SUS) tenha gasto aproximadamente R$ 57,61 milhões com internações decorrentes das quedas em 2009. As consequências das quedas são sérias e englobam problemas como: lesões, fraturas ósseas, medo de cair e consequente aumento da imobilidade e incapacidade, assim como altos custos com tratamento e maiores complicações de saúde e até mesmo morte.

A prevenção de quedas é essencial para saúde e qualidade de vida do idoso. Para isto, é necessário considerar os fatores causais das quedas, sejam eles extrínsecos como: calçados inadequados, obstáculos físicos do ambiente e falta de adaptação do ambiente; ou intrínsecos como: fraqueza muscular e dor articular; diminuição dos mecanismos de atenção e reação; redução da coordenação motora, lentidão dos movimentos e diminuição da acuidade visual, entre outros.

Para prevenção de quedas é importante manter o idoso ativo e funcional, para tal sabe-se que a prática regular de exercícios físicos é essencial. Entretanto, é importante ressaltar que isto pode ser feito de forma simples e no domicílio, desde que bem orientado por um profissional de saúde habilitado.

O treinamento de idosos na prática de exercícios que envolvem suas atividades de vida diária e realizado em seu domicílio aumentam as chances de retenção e transferência, isto é, de memorizarem o que aprendeu e utilizarem no seu dia-a-dia, aumentando assim a segurança e autonomia e reduzindo os risco de quedas. É importante ressaltar que um programa de prevenção de quedas em idosos deve conter uma visão ampla e considerar aspectos biopsicossociais. Para isto, uma boa investigação da condição de saúde do idoso é crucial e deve ser realizada numa avaliação multidimensional, tendo em vista que, alguns fatores geralmente não considerados numa avaliação física podem influenciar diretamente ou indiretamente em quedas. Por exemplo, a condição musculoesquelética (sarcopenia, osteoporose, etc) do idoso pode ser influenciada por uma nutrição insuficiente ou inadequada; uma menor movimentação e subsequente perda de amplitude de movimento pode ser decorrente de um estado emocional depressivo ou da falta de interação e/ou motivação social com seu meio. Torna-se evidente que a visão e abordagem multidisciplinar é essencial para o sucesso de um programa de prevenção de quedas.

Quer saber orientações sobre prevenção de quedas?

Assista o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=zlbVqBcg2s0

REFERÊNCIAS:

Rodrigues, IG; FragaI, GP; Barros, MBA. Quedas em idosos: fatores associados em estudo de base populacional. Rev Bras Epidemiol., jul-set; 2014, 705-718. DOI: 10.1590/1809-4503201400030011

Fabrício, SCC; Rodrigues, RAP; Junior, MLC. Causas e consequências de quedas de idosos atendidos em hospital público. Rev Saúde Pública. 2004; 38(1): 93-99. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102004000100013

Cunha, AA; Lourenço, RA. Quedas em idosos: prevalência e fatores associados Revista HUPE, Rio de Janeiro, 2014;13(2):21-29. doi: 10.12957/rhupe.2014.10128