Em 2012, um artigo foi publicado pelo Centro Médico da Universidade de Rochester (EUA) a partir de pesquisas com ratos, considerando a existência de um novo sistema no corpo humano: o sistema glinfático.

O sistema glinfático nada mais é que uma rede de tubos responsáveis pela “limpeza” do tecido nervoso, eliminando os resíduos tóxicos no sistema nervoso central. É uma espécie de sistema que dá suporte ao sistema venoso desempenhando um papel semelhante ao do sistema linfático (nas demais partes do corpo). Você já deve ter ouvido falar sobre as células da glia e sua importância para suporte e nutrição dos neurônios. Estas células desempenham um papel essencial neste processo de drenagem, e por isso o nome: SISTEMA GLINFÁTICO.

A autora do artigo e participante da pesquisa, Maiken Nedergaar, afirmou: “a limpeza de resíduos é de vital importância para todos os órgãos e há muito tempo temos perguntas sobre como o cérebro se desfaz de seus resíduos.
Assim como o sistema glinfático, o líquido cerebroespinhal (ou líquor)  também é de suma importância nessa etapa de drenagem. O LCR é encarregado de transportar os produtos de resíduo e os nutrientes ao tecido cerebral através de um processo conhecido como difusão.
O sistema glinfático tem maior funcionalidade durante a fase do sono lento, ” desintoxicando” o tecido nervoso de todos os metabólitos acumulados na vigília. Quando nosso sono é perturbado, seja por estado prolongado de vigília ou por distúrbios do sono, há repercussão direta no funcionamento do sistema glinfático, e como consequência um acúmulo de substâncias tóxicas. O acúmulo destas substâncias podem causar degeneração das células neuronais.

Ainda, há esperança de que estes resultados tenham implicações para muitas condições que afetam o cérebro, como lesões cerebrais por traumatismo, Doença de Alzheimer, derrames cerebrais e a Doença de Parkinson, segundo Nedergaar.

Por: Suzan Aquino e Jéssica Nogueira

REFERÊNCIAS:

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